Capitulo 21

As mãos invisíveis ao redor do meu pescoço me apertam com força. Estou com vertigem e minha respiração, tensa. Imagino se Christian pode ouvir as batidas do meu coração quando levanto meus olhos incertos para os dele. Com seu olhar firmemente cauteloso ele me observa, aparentemente esperando por algo.

-Você quer cancelar o casamento? – estou ponderando seu estado de espírito, se devíamos ter ficado em casa onde ele poderia controlar todas as eventualidades.

Seu olhar inflama de paixão ele não diz nada antes de engolir em seco – uhm… Não -. Conciso e claro. Ele testa – Você quer?

-Não? – Eu não pretendo que isso pareça uma pergunta, mas eu tenho a estranha impressão de que ele não estava esperando por algo – talvez, aqui exista uma reposta certa e uma errada.

Como um frio tapa na cara, a moeda cai e a questão soa como um gigante espinho na minha garganta. Eu tento empurrá-lo para baixo, pra ser honesta, eu não tenho certeza se quero saber.

        Isto poderia ter acontecido recentemente, ele mentiu sobre não ter visto ninguém?

O que eu pensei serem borboletas na minha barriga se tornaram agora arranhões, pássaros raivosos e eu me preparo para lançar minha pergunta – Quando esta fotografia foi tirada? – Eu reviro os olhos para o artigo ofensivo ouvindo meu sangue correr pelos meus ouvidos.

Ele não pode estar com raiva; Eu sei que aquela era a pergunta que ele estava antecipando. Eu não posso acreditar o quão confiável eu sou, que eu não poderia pensar sobre isto tão cedo. Nossa relação inteira paira sobre suas próximas palavras.

Seus dedos ágeis soltam meu cinto de segurança e antes que eu perceba o que está acontecendo eu já estou em seu colo. Ambas as mãos estão enfiadas nos meus cabelos, posicionando minha cabeça somente alguns centímetros dele. – Como você pode me perguntar isso? Aquela foto – E eu estou dizendo isto só para que fique claro, eu não quero NUNCA que você duvide de mim – Foi parte do que estava escondido e que você encontrou no meu closet e talvez eu devesse ter mencionado naquela época, mas eu destruí todas e quaisquer uma delas – naquele dia.

O alívio é imediato e caiu contra ele, expirando fortemente, mas uma respiração curta, um monte de incertezas igualmente horríveis ficando para trás. Meus braços se enrolam pelo seu pescoço e eu descanso minha cabeça na curva de seu pescoço, me aninhando. – Eu acredito em você – eu respiro em sua pele morna. Estando tão perto, cheirando aquele cheiro único de Christian, me acalma e me traz de volta à razão. Fortes braços em volta de mim, me puxando mais perto até que eu percebo seu coração batendo em meu peito. Ele está simplesmente tão abalado quanto eu.

Ainda segurando-o forte eu tento fazer com que tudo isso faça sentido.

– Quem é ela?

Quando ele não responde, afasto para trás a fim de encontrar seus olhos, e estou surpresa com o que eu vejo antes que ele tenha a chance de diminuí-los. É um constrangimento colorido com um toque de desolação – deixando-me estupefata.

-Eu não sei – ele diz afinal, ainda evitando olhar para mim.

-O que você quer dizer com ‘não sabe’?  – Eu chio para ele, de repente irritada.

Agora ele está desejando encontrar meu olhar, mas só porque ele quer me advertir, arqueia a sombrancelha, dizendo-me silenciosamente para me recompor.

Devidamente castigada, eu coro novamente. Quero me aconchegar a ele novamente, mas não tenho certeza se serei bem-vida. Felizmente, ele se adianta e enfia minha cabeça de volta ao seu ninho, acariciando meus cabelos distraidamente.

Seu tom é comedido, sua voz, baixa. – Eu tinha muitas destas mesmas fotos, eu quase sempre terminava os atos daquela forma e porque todas as garotas eram uhm… Certo tipo – eu não posso falar

       Oh sim, jovens garotas pálidas e com longos cabelos castanhos – como eu.

O estresse da situação se mistura a alívio, fundindo-se a uma estranha, inominável emoção que leva minha barriga a uma queda-livre antes que me ache engraçada. Sem aviso, um riso histérico me escapa. Eu aperto minha boca com minha mão, em choque ou com medo – não sei, mas eu não posso fazer nada para parar isto. Meus olhos redondos pasmam com ele como um borbulhante ataque de risos, balanço meus ombros, meus olhos lacrimejando.

Christian não vê o lado divertido, suas pupilas ficam frias, – Talvez se eu visse o original – ele bufa indignado.

Eu tento focar em conter minha histeria, ajeitando minha cara em uma máscara adequada,mas é difícil, minha boca continua repuxando um sorriso. Eu solto um longo suspiro e enxugo meus olhos, ainda sentindo o riso querendo aparecer.

– Sinto muito – eu digo ainda lutando contra as risadas. – Então – limpo minha garganta, – Quem é a “Primeira Notícia Underground”? – Estou desesperada para recuperar meu decoro; afinal este é um assunto sério.

Ele aperta os olhos, olhando através das fendas para mim e deixa pra lá – Nós tivemos sorte de pegá-lo. É apenas um show de um homem que dirige, do porão de sua casa, um blog de notícias não oficiais, a maioria de avistamentos de OVNIS e teorias da conspiração. Se isto não fosse para o grande alcance da Grey Publishing nós nunca teríamos acesso a isto antes que fosse tarde demais -. Sua expessão sóbria dá uma ideia do quão perto esteve disto acontecer.

-Ok, isto é bom, certo? Você cuidou para contê-lo? – minha voz está esperançosa antes que a outra pergunta gera confusão. – E por que um blog sobre OVNIS faria um relatório sobre você?

-Sim, nós o detivemos. Ele está retirando isto, mas isso não muda o fato de que quem quer que esteja por trás desta ameaça é o inferno em dobro para tornar a vida muito difícil para mim. Que eles terem acesso a esta foto diz muito do quão longe ele ou ela tem chegado, descobrindo coisas que eu levei a vida toda escondendo – Cuidadosamente. – ele me dá um olhar significativo. – Eu suspeito que o Purp escolheu esse blog porque o escritor gosta do material dele, escandaloso e controverso, ele não liga muito em checar os fatos. Geralmente, suas fontes são dúbias – na melhor das hipóteses. Eu acho que a esperança deles era que uma das grandes agências de notícias pegaria isso e veicularia a história simplemente porque é sobre mim.

– O blogueiro divulgou alguma informação sobre sua fonte? – meus sentidos estão intensificados pela ansiedade, minha barriga está desconfortável com a preocupação.

– Não, e nós o pressionamos – Duramente. Eu engoli, deliberando sobre o significado daquilo antes de apagar da minha mente, seria melhor eu não saber de todos os detalhes.

Christian continua – Eventualmente, ele cedeu e mostrou ao Barney o e-mail anônimo, ele está procurando pelo endereço de IP, mas nós não estamos segurando nossas respirações, provavelmente, eles foram enviados de uma conta falsa, pra começar.

– E você, obviamente, pensa que todos estes incidentes estão relacionados.

Um minuto inteiro se passa antes que ele responda, durante todo o tempo sobre mim e pensando se ele está selecionando tudo em sua mente, escolhendo as coisas que está disposto a compartilhar.            -Sim, mais e mais-.

De um lado, estou aliviada que ele confie em mim o suficiente para me confidenciar isto, mas por outro lado, eu odeio me sentir fora de ordem. Estou preocupada, especialmente sobre o quanto esta ameaça parece ser totalmente não identificada. Nós nem sabemos com o que estamos lutando. A linha ao redor da boca de Christian e de seus olhos são sinais claros de que ele está mais preocupado do que ele está deixando transparecer.

Porque não há nada que eu possa fazer para elevar seu espírito, beijo seu rosto – seus olhos, suas têmporas, seu nariz e finalmente sua boca. Ele responde com um gremido e aprofunda o que deveria ser um beijo casto.

Quando nos afastamos, nossos corações estão batendo num ritmo sincronizado, faces coradas com o calor de nossa proximidade.

– Você certamente sabe como desfocar a mente de um cara de seus problemas. – Um toque de admiração e uma grande dose de luxúria me encaram, sua voz rouca e baixa.

Eu sorrio docemente – Nosso objetivo é agradar.

Suas mãos escorregam por minhas costas e apertam meus quadris. Empurro para baixo enquanto ele empurra para cima, evidenciando seu desejo no meu traseiro.

            Nossa… No carro, com o time da segurança a centímetros de distância?

– Tão descarada – ele diz enquanto lê meu pensamento pela expressão do meu rosto. Ele esfrega a ponta do polegar no meu lábio inferior. – Você é uma má influência – ele sussurra e sorri – Mais tarde, estamos quase lá.

Por um momento eu me permito fantasiar nas alturas, mas se eu o conheço… Christian e sua família estarão a bordo. Talvez até a minha. O sorriso lascivo desliza da minha boca juntamente com meu coração, até meus sapatos.

– Aperte o cinto, baby. – ele me levanta de seu colo e eu caio de volta no meu assento. Seu tom é suave e, como sempre, ele conhece a razão por trás do meu súbito esvaziamento. – Você não tem que fazer isso; Eu não dou a mínima para o que os outros pensem. Nem eles, este é o dia do nosso casamento. Não quero que você se chateie – seu corpo todo se virou pra mim, ambas as mãos apertando as minhas enquanto seus polegares acariciam minha pele.

– Eu me importo Christian; Não posso construir esta relação numa mentira. É demais.

Ele concorda com a cabeça, mas seus lábios se apertam não satisfeito com minha decisão.

– Quem estará no avião? – Talvez eu tenha sorte e terei outras duas horas de trégua.

Ele sorri – Chris, minha mãe, meu pai e Mia. A notícia foi em cima da hora para sua mãe e Bob; eu cuidei para que eles voassem direto de Savannah. Ah, e Ray, ele dirigiu desde cedo esta manhã. Kate e Elliot enviam seus melhores votos, eles estão um pouco putos comigo pelos planos repentinos – ele abre um sorriso irônico.

Eu o conheço muito bem quando mete algo na cabeça; um irmão ausente não seria suficiente para adiar o casamento.

Eu engulo ruim o suficiente, tenho que enfrentar os Grey com minha verdade horrível, mas meu coração dói mais por causa da decepção do Ray comigo. Eu ainda nem sei o que vou dizer.

Logo, nos dirigimos para a pista e o familiar jato da Grey Enterprises aparece. Imponente no sol da tarde, o pássaro de aço vai nos levar aos nossos sonhos – assim espero.

Carl e Collins ladeiam a entrada do jato e acenam com suas saudações assim que Christian e eu passamos pelo arco. As mãos de Chirstian estão enroladas às minhas como uma videira. Brandon e Taylor vêm logo atrás. Somos recebidos por um guincho e um torpedo de energia que esbarra em nós.   Eu pego Chris e o levanto num abraço apertado.

– Oi amigão, eu senti muitas saudades! – plantei beijos sem fim por toda sua face e cabelo.

Seus braços pequenos escorregam pelo meu pescoço e ele me abraça de volta – Mamãe iremos para o avião de novo!

Eu ronco, mesmo uma noite sem mim eu não vejo nem de perto, isso ser tão excitante quanto o passeio de planador. Eu o abraço por mais tempo mesmo que eu consigo senti-lo se contorcer livremente. – Eu sei isso não é ótimo? – o coloco no chão e ele se volta para Christian, levantando os braços.

Eu sorrio, ele já sabe como manipular Christian, ele não tinha feito isso no ano passado.

O sorriso no rosto de Christian é belíssimo, encantador. Ele o agarra para cima e pressiona a bochecha do Chris com a sua. A imagem dos dois traz a ameaça de volta – se algo acontecesse com eles…

Meus pensamentos tortuosos são interrompidos pelos Grey; ansiosos por nos parabenizar. Eu aceito as saudações deles com o coração pesado sabendo de que podem não ficar tão felizes depois que confessar minha estupidez. Quando encontro os olhos de Grace, eu agradeço a ela pela longa tarefa de ter cuidado de nosso filho e como retorno, ela me agarra junto ao seu peito, grata. Eu sou a única que deveria estar agradecida e eu sinto meu espírito escorregar ainda mais.

Finalmente é a vez do Ray. Ele aperta a mão do Christian, balançando seu braço até quase perfurar seu crânio e há alguma mensagem silenciosa entre eles, então, de repente me sinto sobrando, andando desajeitadamente de um lado para o outro. Ele dá um tapinha nas costas do Christian e o deixa ir.

Quando Ray vira para mim, sinto-me aliviada por ver um pequeno sorriso em seu rosto. Ele me abraça e eu me derreto tão confortável que eu descando meus braços em seu pescoço no que eu só posso descrever como uma trégua.

Ele ri – E aí, Annie, feliz por ver o seu velho, não é?

Eu me seguro, me esforçando para segurar as lágrimas. – Sim, algo assim.

– Você agiu certo, garotinha. Agora, não vá estragar tudo de novo – ele sussurra próximo ao meu ouvido.

– Não vou, pai, eu prometo – eu nunca havia pronunciado palavras tão sinceras.

Christian se retirou educadamente para conversar com sua família e nos dar um pouco de privacidade. Quando eu e Ray nos juntamos a eles, rapidamente ele cruzou seus dedos aos meus novamente, como se ele não aguentasse ficar sem isso. Eu amo isso e lhe dou um sorriso tímido, apertando suas mãos em reconhecimento.

A aeromoça anuncia a nossa partida e Chistian fica atrás de mim, me guiando até nossos assentos, deixando-me escorregar por um deles até a janela. Antes que eu tivesse tempo de apertar meu cinto de segurança ele já estava preso no seu lugar, olhos concentrados na tira do cinto, ele lambe os lábios e aperta meu cinto com um puxão de um especialista, inundando minha memória com imagens pornográficas, principalmente envolvendo certa gravata prateada. O sorriso malicioso que eu recebo de volta teriam enfraquecido meus joelhos se eu já não estivesse sentada.

Sem querer ele solta aquele olhar, trocando isto por uma afeição paternal enquanto ele acomoda Chris na poltrona oposta à nossa, deixando-me um pouco mais que sem folêgo. Mia se joga na poltrona próxima a do Chris. Ela pisca para mim, com a emoção rolando como ondas, fazendo-se sentir do mesmo jeito.

– Percebo que a noite de vocês foi boa – ela diz para nós, levantando suas sombrancelhas sugestivamente.

– Isso não é da sua conta – Christian volta para mim e leva minha mão aos seus lábios – Mas sim, foi de acordo com o planejado – e como uma criança que sempre gostou das brincadeiras ingênuas, sorrio em retribuição, olhando para meu homem.

Logo após a decolagem, Christian me avisa – Baby, eu trouxe trabalho para fazer. Estarei no escritório se precisar de alguma coisa.

        – Ah, nada de terminar o sexo nas alturas que você começou?

Ele sorri quando vê a decepção no meu rosto – Você é insaciável, Anastasia.

Inclino-me mais para perto, roçando meus lábios na sua orelha – E você também, Sr. Grey – dou uma mordidela e me arrepio quando ele expira com força.

– Terei que puni-la por causa disso – seus olhos ficaram mais sombrios, sua promessa correndo direto para minha virilha.

       – Sim, por favor!

Ele deu um beijo rápido nos meus lábios famintos – Mais tarde, baby – ele pisca e toca na ponta do meu nariz.

       Provocante!

Ele gira para o Chris – Ei, Campeão, papai tem trabalho pra fazer, nos vemos quando pousarmos, ok?

– Ok, papai, veja, estou ganhando! – Mia está ensinando o jogo da velha no smartphone.

– Isso é ótimo, amigão, você deveria prestar mais atenção, ela trapaceia! – ele assanha o cabelo do Chris e Mia reclama, rindo junto com Chris.

Bom, isso me dará uma chance de conversar com Grace e Carrick. Com o Chris entretido, eu percebo a oportunidade de planejar o que eu quero dizer antes que Ray sente próximo a mim.

– Ana – ele sussurra com os olhos arregalados. – Grace e Carrick parecem estar pensando que Christian fugiu de você. O que está acontecendo?

– Oh, pai – eu suspiro, sabendo que não posso mais deixá-lo por fora. – Eu sei. O que você disse?

– Eu não disse nada, o que você quer dizer com ‘eu sei’? Seu carinho começa a esfriar, irritado por ter sido mantido sem saber de nada.

– Desculpe-me pai, recentemente eu me encontrei, mas Christian contou a eles para me proteger. Eu estava aqui sentanda, pensando no que dizer a eles, eu tenho que contar a eles a verdade. – baixo meus olhos, vendo meus dedos mexendo nos controles do assento.

Instantaneamente sua bondade está de volta, satisfeito de que eu esteja tomando uma decisão honrável e eu sou amparada por seu olhar de aprovação. – É a coisa certa a fazer – ele concorda e segura minha mão. – Vá agora, vou manter estes dois fora do caminho – ele inclina sua cabeça na direção de Chris e da Mia.

– Ok – eu solto o cinto de segurança e respiro profundamente; cruzo meus dedos e espero não arruinar o dia.

Melhor resolver logo isso; Eu posso perder a cabeça se tiver que esperar mais um pouco.

– Se importam se eu me juntar a vocês? – pergunto à Grace e Carrick enquanto seus rostos sorridentes se voltam para mim, seus assentos ficam de costas para a cabine do avião e quando eles acenam, eu pego o assento de Ray diretamente oposto ao deles.

A maternidade de Grace está em sintonia com meu humor e seu sorriso se desfaz – Qual é o problema, Ana? – Ela se aproxima, mudando de assento e coloca a mão no meu ombro.

Quando eu levanto os olhos vejo duas expressões de preocupação idênticas. – Eu tenho algo para contar a vocês – Eu procuro pela garrafa de água do Ray no braço da poltrona e tomo um gole, minha boca seca precisa de um pouco de ajuda.

– O que houve querida? – estremeço com o carinho, Grace segura à mão de Carrick e a julgar pela forma como ela está segurando, o nível de ansiedade está tão alto quanto o meu.

Outra respiração para diminuir as batidas do meu coração. Eu gostaria de começar, mas o nó na minha garganta não deixa.

– Não foi o Christian que fugiu de mim quando eu estava grávida; Eu fui à única que fugiu. – minha voz era clara e baixa, num tom robótico.

Não acreditei quando eles ficaram quietos, me deixando continuar. Agora que a verdade veio à tona, estou ansiosa para explicar mesmo sabendo que nada pode diminuir a dor deles. Seus olhares chocados me encaram e meus olhos baixam, estou envergonhada.

– Eu sabia que Christian não queria o bebê e isto provavelmente foi por culpa minha – Ficando grávida. Eu estava apavorada, tão assustada que eu não tinha fé neste relacionamento – No amor dele por mim, eu fugi. Eu estava convencida de que estava fazendo um favor para ele, que não precisava de mim e que eu era um interesse passageiro que estaria trazendo algo para a vida dele que ele não queria. Eu estava certa de ele iria acabar me magoando.

Um constrangimento queima minhas bochechas e sinto uma dor no coração bem familiar, um tipo de dor que faz com que meu ser doa com pesar. – Eu fui tão estúpida, eu sinto muito – eu falo para o chão e vejo o borrão do carpete quando as lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto.

O silêncio deles arde em meus ouvidos, com cada lapso de tempo eu sinto-me pior sabendo que causei essa dor, que está abalando a crença deles em mim. Eu tremo quando me lembro das muitas vezes que eles me agradeceram por ter trazido pra fora de sua concha.

-Ana! – não há dúvida sobre a raiva com que meu nome é dito; Grace ajeita-se no assento, seus ombros próximos dos meus. – Ele amava você… O que você estava pensando? – ela balança sua cabeça, exasperada. Tudo o que posso fazer é concordar.

– Eu pensei que estava fazendo a coisa certa. De fato, eu nunca duvidei disto até vê-lo novamente. Eu não tinha percebido… – O que dizer?  É impossível descrever o que eu passei, a quão insegura eu era – sou em algumas situações. Eu murchei um pouco e tento encontrar conforto no fato de eu ter feito a coisa certa contando a eles, mesmo que me custasse um preço alto demais.

Carrick olha pra mim e depois para ela, sério. – Eu acho que o que a Grace está tentando dizer é que entendemos o quanto Christian pode ser difícil, Grace e eu sempre falamos sobre isso nestes anos. Algumas vezes, nós não sentíamos seu amor, duvidamos até de que ele seria capaz de dar ou receber amor.

Estou surpresa com sua observação perspicaz, infinitamente surpresa que ele parece estar lutando por uma mudança, mas ele dirige suas palavras para ela, acariciando gentilmente suas costas.

Grace olha para ele, eu posso ver a verdade nela, mas a perda de quatro anos da vida de seu neto e a dor de seu filho anulam tudo e eu mal posso culpá-la. Eu seria uma louca – talvez pior.

– Eu nunca tive a intenção de magoá-lo. Eu estava tentando salvá-lo.

– Ele ou você mesma, Ana?  – seu olhar ardente e sua análise precisa chicoteiam meu coração, não há como negar que eu estava desesperada para me proteger de ter meu coração estraçalhado pela indiferença do Christian por mim.

Eu balance minha cabeça, contrariada – A ele e a mim – eu murmuro desolada.

– E como você se sente sobre este relacionamento agora?  – a pergunta gentil de Carrick me pega de surpresa e eu me atrevo a olhar nos seus olhos.

Um olhar rápido para a Grace revela que ela também está ouvindo, mesmo que sua expressão esteja como de uma pedra. – Eu sei que errei e me comprometi a ver alguém para cuidar dos meus problemas de autoestima. – torço meus dedos nervosamente em meu colo – Eu não quero perdê-lo novamente e, definitivamente, eu não quero ser responsável por outra separação. Christian precisa do Chris tanto quanto Chris precisa dele.

Grace encosta-se ao assento; um pensamento sai de sua boca – Isto é alguma coisa, pelo menos. – Seu tom é relutante.

Pelo olhar glacial de Carrick para o rosto descontente de sua esposa, fica claro que ele não está acostumado a vê-la assim tão agitada. – Obrigado por nos contar a verdade, Ana, eu posso imaginar a coragem que você precisou ter.

O bufo sarcástico de Grace é tão incomum para ela, que com tudo isso parece que uma faca foi enfiada no meu coração. Os olhos bondosos de Carrick são a única razão por eu não estar desmoronando no chão, implorando por seu perdão.

Com os lábios apertados e um olhar cansado, ele me sinaliza para dar-lhes um pouco de privacidade. Concordo com a cabeça, compreendendo. – Eu sei que isto nem se aproxima de ser suficiente, mas eu sinto muito e eu realmente o amo. Nunca deixei de amá-lo. – minha voz falha e eu paro um soluço com minha mão na boca. Eu pego o resto da minha dignidade para me levantar e encontrar refúgio no quarto nos fundos do avião.

       Merda, merda, merda!

Eu espero pelas lágrimas, mas elas não vêm, estou tão sobrecarregada, tão chocada. Aquilo foi brutal! Até minha garotinha interior sabe manter sua boca alegre bem fechada. Encolho-me e abraço meus joelhos junto ao meu corpo trêmulo. O desânimo escondendo qualquer alívio que eu poderia ter tido com aquela confissão.

Momentos depois a porta abre – Ei, baby… Uma respiração travada para a meia-sentença de Christian – O que há de errado, Ana? – ao meu lado, na cama, ele quer dar o melhor dele e me puxa para ele, suavemente me embalando no seu peito.

– Eu falei com seus pais – minha voz baixa parece sem emoção; meus olhos só veem a face contorcida de dor da Grace.

Christian me empurra – Que porra, Ana? Sem mim? Você contou a eles sem que eu contasse o meu lado da história? – sua inesperada aspereza me fez pular, eu o encaro sem expressão.

        O quê? Eu deveria esperar?

Eu pisco – Eu não… você não disse… Eu…

Christian me interrompe – O quê? Você não pensou que eu queria estar presente quando você crucificava sua relação com meus pais? Que eu gostaria de ajudar você a colocar as coisas adequadamente para eles? – ele levanta num pulo, passando a mão com raiva no cabelo enquanto a outra está com o punho cerrado ao lado dele.

Ele para na minha frente, olhando para baixo, carrancudo. – Por que você insiste em fazer tudo por sua conta? Por que você não consegue aceitar ajuda?

O desabafo dele me deixa abatida – Eu não sabia que eu precisaria de alguma ajuda!

Ele joga os braços e olhos para o céu, e numa passada, se vira para sair – Vou falar com eles – ele diz entre seus dentes cerrados sobre seus ombros.

      Quando ele vai aprender que eu não preciso que ele lute minhas batalhas?

Eu me concedo alguns minutos para me acalmar antes de me recompor. Tenho certeza que meu pequeno deve estar se perguntando onde estou.

Andando de volta, eu sinto como se estivesse enterrada em minha culpa, como se estivesse escrito na minha testa par ao mundo ver. Sou cuidadosa ao evitar os olhares de Mia e Ray, grata pelos Grey estarem no escritório a bordo. Eu concentro minha atenção no Chris, tentando manter meus pensamentos longe das pessoas que eu insisto em facilmente chatear.

O pouco de força que eu tenho, eu uso para não escorregar para o buraco negro de dúvida que me diz que eu não sou boa o suficiente, que eu não pertenço ou não mereço estar aqui. Isso não fez nada bem no passado e agora estou muito perto de afundar minha relação com meus sogros.

Quando começamos a descer, Christian se junta a mim, jogando-se no seu assento, deslizando o polegar e o dedo indicador dele na testa – como se estivesse afastando uma dor de cabeça. Os pais dele tomam seus lugares atrás do nosso, e eu estou mais do que feliz por postergar o fato de ter que encará-los de novo.

Ele não olha pra mim, mas segura minha mão. – Tudo vai ficar bem, só lhes dê algum tempo.

Eu desvio o olhar para a janela para esconder o brilho revelador na minha face; Espero que ele esteja certo. Este deveria ser um dia feliz, quais são as chances que ele mudará antes da noite?

O espaço confinado do avião parece sufocante agora com a raiva de Grace em tal proximidade e eu fico feliz quando pousamos e desembarcamos mesmo que seja estranho. Não tenho certeza se devo evitá-la ou me aproximar.

A decisão é tomada por mim quando temos que nos separar para nos dirigirmos para as duas SUVs estacionadas a uma pequena distância do avião, com os motoristas esperando com atenção voltada para nós. Grace, Carrick e Ray junto com Collins e Carl entram no primeiro carro e Christian, Mia, Chris e eu vamos para o segundo carro, com nossos próprios seguranças nos seguindo.

Mesmo que eu reconheça que é minha culpa, estou grata por dar um tempo deles. Eu observo Chris, seus olhos estão tremendo, embalado pelo movimento do veículo depois de um dia excitante. Ele vai dormir em um minuto.

– Para onde estamos indo? – eu olho para Christian que está perdido em seus próprios pensamentos.

– Hum? – ele diz, afastando-se de seus pensamentos, olhos cinzentos encontrando os meus e suavizando.

Eu sorrio e repito minha pergunta – Para onde estamos indo?

– Para você, minha noiva, somente o melhor. – ele sorri antes de se inclinar e beijar minha boca.

Eu suspiro de prazer, tremendo, impotente diante de seu tom sedutor. Ele me olha, divertido.

– Vamos ficar no Bellagio; eles nos ofereceram uma casa.

– Oooooh! – Mia grita! – Ana, isto é tão romântico! Você é tão sortuda; As casas do Bellagio são apenas para convidados.

Minha expressão admirada, ganha um aceno afirmativo de Christian e ele sorri com indulgência para mim.

Mia continua, soltando de uma vez – Eu nunca estive lá, mas uma das minhas amigas namorou uma baleia e ele foi convidado a ficar, ela disse que era requintado!

Dou uma risadinha – Uma baleia?

Ela vira animadamente para minha direção, sorrindo – Você sabe um grande jogador!

-Ah – eu concordo com a cabeça, espelhando seu sorriso, deslizo meu braço pelas costas de Christian e dou-lhe um aperto em sua cintura – Obrigada, eu sei que qualquer coisa que você organize será especial.

Ele enrosca seus braços ao redor dos meus ombros e me segura, dando um beijo na minha cabeça – Tudo pra você – até mesmo sua voz rouca envia arrepios deliciosos na minha espinha.

Já estamos no caminho e mesmo que ainda seja dia, as luzes estão todas piscando e brilhando para um convite a diversão hedonista. – Vamos nos casar no hotel? – eu desvio meus olhos para longe das cores tumultuosas e olho para ele.

Ele sorri um sorriso enigmático, não me dando resposta. – Não, acho que o full-on de Vegas é um tanto grosseiro, para nós, eu tenho algo um pouco mais… Tranquilo, em mente – uma piscadela é a única dica que ele está preparado para me oferecer.

Mmmmmh, Vamos esperar que o que acontece em Vegas não fique somente em Vegas…

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